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A fome em um mundo de abundância
| 11 de setembro de 2013 às 11:10 AM

O livro Destruição em Massa – geopolítica da fome, de Jean Ziegler, qanha sua tradução para o português pela Cortez Editora e chega às livrarias brasileiras no próximo mês de maio de 2013, com tradução e prefácio de José Paulo Netto. A capa da edição brasileira traz tela de Cândido Portinari. “O livro que o leitor terá em mãos, embasado diretamente na experiência dessa década de ação combativa, é o fruto mais recente da inesgotável capacidade de trabalho e de luta de Ziegler. Resgatando – e sobretudo reivindicando – a herança do inesquecível mestre (outro grande intelectual público internacional) que foi Josué de Castro, Ziegler opera uma rigorosa desmistificação das várias formulações ideológicas contemporâneas (neomalthusianas ou não) que naturalizam o fenômeno da fome, situa-o como o ominoso e criminoso escândalo do tempo presente, aponta os seus verdadeiros responsáveis e desmascara os seus falsos e mentirosos argumentos. Ao mesmo tempo, não se limita à denúncia necessária, mas sugere as vias de solução, indicando os sujeitos sociais que podem implementá-la”,  descreve José Paulo Netto.

Este livro nos dá o retrato, por inteiro, de Jean Ziegler: 
o retrato de um humanista contemporâneo.”

O livro entrelaça a seriedade do sociólogo, a rigorosidade do pesquisador, a paixão do ativista social e o amor – a palavra, tão desgastada, é mesmo esta – pela humanidade, deslumbrado amor pela genericidade humana. Amor que necessariamente implica o ódio – não pessoal ou singular, mas político-social – a tudo e a todos que impedem o livre e pleno desenvolvimento humano dos condenados da Terra. “Ninguém sairá da leitura deste livro como o abriu: estas páginas exsudam uma extraordinária generosidade, tão magnífica  quanto a que encontramos no mais nobre humanismo que tomou corpo na cultura ocidental com o Renascimento. E, como a de todo alto humanismo, esta generosidade tem traços ingênuos (veja-se, como exemplo, o potencial que Ziegler localiza nos instrumentos da democracia política). Contudo, quem encontrar algo de ilusório nessa ingenuidade, haverá de conceder que se trata de ilusões heroicas, próprias àquele princípio da esperança teorizado por Bloch (não por acaso, aliás, retomado por Ziegler)” descreve  José Paulo Netto.

A edição brasileira traz a tela “Criança Morta”, de Cândido Portinari. A ideia surgiu internamente na Editora. O arte-finalista Ricardo Andrade, após a leitura do original, propôs a utilização de uma das telas de Cândido Portinari – entendendo que somente a arte do grande pintor brasileiro poderia expressar a força da análise de Ziegler sobre as indignas condições societárias que vêm sendo impostas pelo capitalismo a milhões de seres humanos em todo o mundo. “Aceita a certeira sugestão, o desafio era conseguir a liberação dos direitos de uso da tela “Criança Morta”, ao que solicitamos a intervenção de João Pedro Stedile, Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, junto ao filho do artista, João Cândido Portinari, que cedeu os direitos com extrema generosidade”, nos conta Elisabete Borgianni, Assessora Editorial da Cortez Editora/Área de Serviço Social.

No final da obra, é reproduzida a significativa troca de mensagens entre esses marcantes personagens que fazem a história do Brasil de hoje, conectando-a com a luta pretérita do próprio Portinari e de Josué de Castro. “Fica assim o registro do diálogo histórico entre pessoas que, embora distantes umas das outras, conseguem unir o passado e o presente, militando juntas por um futuro no qual a desigualdade e a injustiça provocadas pelo capital venham a ser apenas marcas da pré-história da humanidade”,  finaliza Borgianni. 

Sobre o autor: O sociólogo Jean Ziegler (1934) lecionou na Universidade de Genebra e na Sorbonne e foi membro da bancada social-democrata no parlamento da Suíça. Autor de larga bibliografia, traduzida em vários idiomas, foi Relator Especial da ONU sobre o direito à alimentação (2000-2008) e membro do seu Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos (2008-2012). 

Em 2002, ao encerrar o prefácio de outro livro de Jean Ziegler, A fome no mundo explicada a meu filho, Anna Maria de Castro escrevia: “Comemoro a edição deste livro de Ziegler porque percebo que ainda há inconformados e indignados como Josué de Castro, que sonham com um mundo sem fome e com igual oportunidade para todos. Passados alguns anos, volto a constatar que a indignação e o inconformismo continuam presentes na obra científica deste incansável e competente pensador contemporâneo. Entretanto, agora verifico que o trabalho de Ziegler se apresenta com novos componentes que só engrandecem sua criação. Mais preciso, apurou suas pesquisas e burilou seu estilo literário – assim, mesmo tratando de assuntos áridos como fome e injustiça social, a leitura flui com facilidade e a compreensão é imediata. Após publicar, em 2005, L’Empire de la Honte e, em 2008, La Haine de l’Occidente (Ódio ao Ocidente, lançado pela Cortez Editora em 2011), nos brinda agora com seu mais novo livro, Destruction Massive. Trata-se de leitura obrigatória pela atualidade dos temas abordados em seus capítulos, tais como: Geografia da Fome; As Crises Prolongadas; Josué de Castro – Primeira Época; Os Cruzados do Neoliberalismo; Os Cavaleiros do Apocalipse; A Esperança, entre outros igualmente atraentes e desafiantes. Os admiradores de Josué de Castro poderão, ao longo da leitura, recordar as abordagens contidas na Geografia da Fome e na Geopolítica da Fome, agora atualizadas pelo talento de Ziegler. Para os que desconhecem as referidas obras, é momento especial para com elas tomar contato. Os jovens, em quem depositamos nossas melhores esperanças, não devem perder a oportunidade de ler e poder refletir sobre os desafios que devemos enfrentar para diminuir as injustiças sociais ainda presentes em nossos tempos.” 

Ficha Técnica: Livro: Destruição em massa  - geopolítica da fome; Autor: Jean Ziegler; Tradutor: José Paulo Netto; Nº de págs. 336; Preço: R$

 

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